Trecho 07 - Pau-da-Fome x Piraquara





Descrição
Um bom preparo físico e alguma experiência em trilhas são recomendados, pois este trecho é técnico e considerado um dos mais desafiadores da Trilha Transcarioca. A recompensa, no entanto, está nas paisagens deslumbrantes e na diversidade encontrada ao longo do caminho, que passa por florestas, rios, pastagens, trechos de pedra, áreas rurais e estradas. Nas duas extremidades do percurso há boa infraestrutura nas sedes, ideais para iniciar ou encerrar o dia de caminhada, com acesso a água, banheiros e informações. Entre os principais atrativos, destacam-se o mirante da Estrada de Furnas e a Pedra do Ponto, ícone do Parque Estadual da Pedra Branca, de onde se avista a Restinga da Marambaia e o bairro de Realengo. Outro ponto imperdível é o Aqueduto do Barata, que, na altura das copas das árvores, proporciona uma experiência única de contato com a floresta com destaque especial para observação de aves. Ao longo do trajeto, é possível observar a maior população de pau-brasil (Paubrasilia echinata) do município do Rio de Janeiro — uma espécie ameaçada que ocorre naturalmente na Mata Atlântica e encontra, aqui, um importante refúgio. A riqueza histórica também se faz presente. Na sede Pau da Fome, encontram-se estruturas tombadas pelo patrimônio histórico, como antigas represas e um belíssimo sistema de aquedutos. Já nas proximidades do rio Piraquara, pode-se conhecer o antigo sistema de captação de água que abastecia a região. Para aproveitar melhor a caminhada, leve bastante água, utilize calçados adequados e, nas áreas abertas, não se esqueça do protetor solar. Mantenha atenção à sinalização para garantir segurança e não sair da trilha.
OrientaçõesDicas
Recentemente foi descoberta, na região do Piraquara, a maior população de pau-brasil (Paubrasilia echinata) nativo do município do Rio de Janeiro. Essa espécie, símbolo nacional e ameaçada de extinção, costuma ocorrer em áreas mais secas. O solo raso e bem drenado do local oferece condições ideais para o seu desenvolvimento, embora até então não houvesse registros da espécie nessa região. O achado é especialmente relevante porque o Piraquara abriga o maior fragmento de mata seca de todo o Parque Estadual da Pedra Branca. Essa área foi preservada graças à nascente do rio Piraquara, que garantiu a conservação da vegetação mesmo em meio ao intenso processo de degradação da vertente norte do parque. Enquanto grande parte da região sofreu com o corte raso da mata, o vale do rio permaneceu protegido por sua importância vital para o abastecimento de água. Além disso, o trecho é monitorado pelo Projeto Fauna Transcarioca, que realiza o acompanhamento contínuo da fauna local. Em 2023, um registro notável marcou a região: a presença do gato-do-mato-pequeno (Leopardus guttulus), espécie de felino ameaçada, que vem sendo monitorada desde então. O projeto já contabilizou 21 espécies de mamíferos não voadores, reforçando a importância da preservação desse ambiente único para a manutenção da biodiversidade. Meliponários nas sedes Em ambas as sedes é possível visitar meliponários, espaços dedicados à observação de diversas espécies de abelhas sem ferrão — insetos fundamentais para a polinização e a manutenção das nossas florestas. Esses espaços foram implantados pela Trilha Transcarioca, que garante sua gestão e manutenção por meio do projeto Natureza Doce – Pelas Trilhas das Abelhas sem Ferrão, iniciativa voltada à conservação dessas espécies tão importantes para a biodiversidade. Flora do trecho Além do pau-brasil, recentemente descoberto em grande abundância na região, é possível encontrar outras espécies de grande importância para a Mata Atlântica. Entre elas estão os imponentes jequitibá-rosa e jequitibá-açu, verdadeiros gigantes da floresta. Também se destacam as majestosas figueiras e a guarajuba, uma espécie altamente ameaçada que encontra neste fragmento um importante refúgio para sua conservação.

















.jpg)

